Cavernoma

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O que é Cavernoma?

Cavernoma ou angioma cavernoso é uma alteração vascular do sistema nervoso central, podendo aparecer de forma isolada, esporádica, ou associado a história familiar e síndromes genéticas. Há estimativa de incidência de 1 em 600 pessoas assintomaticas, sendo que 1 em 4000.000 ao ano apresentam sintomas. 

O cavernoma é um pequeno novelo de vasos sanguíneos (capilares), parecido com uma framboesa, que pode sangrar. Esse sangramento pode levar ao aparecimento de sintomas neurológicos ou crises convulsivas, dependendo da região do sistema nervoso em que ocorre. Os sintomas mais comuns são: dor de cabeça, sangramento, crises convulsivas; mas o cavernoma também pode manifestar dificuldade de fala, visão dupla, desequilíbrio, tremor, fraqueza no corpo, problemas de memória ou dificuldade de concentração/ atenção. A gravidade e duração dos sintomas varia muito com a localização, tamanho e número de cavernomas. Geralmente, os sangramentos são pequenos, no entanto, hemorragias maiores podem incorrer em maior risco.  

Na maioria dos casos não há uma explicação definida do porquê o cavernoma aparece, mas uma parcela dos pacientes pode apresentar histórico familiar de carvernoma, aumentando a chance de ocorrer novamente nos decendentes. Um dos fatores de risco para o desenvolvimento de cavernoma é a exposição prévia à radiação ionizante (radioterapia). 

O diagnóstico é geralmente feito através de exame de ressoância magnética. O risco estimado de sangramento de um cavernoma que nunca sangrou previamente é de 1% ao ano. No entanto, em caso de sangramento prévio, o risco de novo episódio varia de 4 a 25% ao ano.

Tratamento do Cavernoma  

O tratamento dos cavernomas em fase aguda de sangramento é geralmente cirúrgico, com o objetivo de remover esse novelo de vasos, evitando a recorrência de crises. sangramentos e demais intercorrências neurológicas. Em algumas situações em que o cavernoma não pode ser acessado cirurgicamente, há a possibilidade de tratamento com radiocirurgia estereotáxica. No entanto, o método preferido de tratamento é o cirúrgico, já que a efetividade da radiocirurgia na prevenção de futuros sangramentos não está muito bem definida na literatura médica.

O avanço das técnicas microcirúrgicas, anestésicas e de monitorização neurofisiológica intraoperatória tornaram a neurocirurgia para remoção de cavernoma do sistema nervoso central bastante mais segura, diminuindo o risco de sequela neurológica e permitindo a retirada completa da novelo vascular.

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Luciano Furlanetti, MD, PhD, FEBNS

CRM 121.022 | Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) | Membro Titular da Sociedade Alemã de Neurocirurgia (ÄK-DGNC) | Membro Titular da Sociedade Britânica de Neurocirurgia (SBNS)| Doutorado e Pós-Doutorado em Neurocirurgia Funcional – Alemanha/UK | Clinical Fellowship Neurocirurgia Funcional – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido | Clinical Fellowship Neuro-oncologia – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido 

Este post tem 2 comentários

  1. Sonia Martins

    A minha mãe foi diagnosticada com Cavernoma Cerebral após os primeiros 2 episódios de Convulsões e o médico dela considera melhor não operar sendo que prescreveu amitriptilina para combater as convulsões. Efetivamente não voltou a ter novos episódios até à data, no entanto notamos alguns problemas de perda de memoria e confusão mental que se têm vindo a acentuar. Na sua opinião, esta situação é expectável para pacientes de cavernoma cerebral? A tendência é existir um agravamento dos sintomas com o passar do tempo? Muito obrigada!

    1. Dr. Luciano Furlanetti

      Olá Sonia. Obrigado pela pergunta. A decisão quanto ao tratamento cirúrgico ou conservador depende muito de aspectos como a localização do cavernoma, presença de sintomas, tamanho do cavernoma e volume do eventual sangramento, além da faixa etária e condições gerais de saúde do próprio paciente. Sabemos que cavernomas que já apresentaram sangramento podem apresentar novos episódios ao longo da vida da pessoa, com risco de agravamento ou recorrência de sintomas. Portanto, vale a pena acompanhar de perto e discutir riscos e benefícios das opções de tratamento com a equipe médica, de maneira personalizada, levando em consideração as características individuais de cada paciente. Um abraço, Dr Luciano Furlanetti.

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