Meningioma: o que é e como tratar

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Os meningiomas são tumores que nascem a partir da aracnóide, que é uma das meninges que envolvem e protegem o sistema nervoso, daí o nome meningioma. Eles são geralmente tumores de crescimento lento, que no entanto, podem atingir grandes proporções e causar intensa compressão em estruturas nervosas ao seu redor, levando a uma variedade de sintomas neurológicos, tais como crise convulsiva, perda de força, formigamento, dor de cabeça, entre outros, a depender da localização em que aparecem.

Os meningiomas podem aparecer em qualquer região do sistema nervoso central, sendo o tipo mais comum de tumor intracraniano primário. É um tumor mais frequentes entre mulheres. Os fatores predisponentes para o aparecimento de meningioma são a exposição a radiação e história familiar (doenças genéticas como a neurofibromatose).

Cirurgia para Meningioma

O tratamento de primeira escolha para meningiomas é a ressecção microcirúrgica total do tumor, ou seja, a retirada do tumor por uma cirurgia cuidadosa, preservando as estruturas adjacentes e funções neurais. Atualmente, esse tipo de cirurgia neurológica pode ser realizada com bastante segurança e permite, além de retirar o tumor, descomprimir o tecido nervoso, preservar estruturas nervosas ao redor e fazer diagnóstico histológico (biópsia do tipo de tumor).

A cirurgia é normalmente reaizada em anestesia geral para conforto e segurança do paciente, podendo ser utilizada a monitorização contínua das funções neurológicas durante o procedimento. O tempo de internação hospitalar e de recuperação pós-operatória varia conforme a localização do meningioma e condições gerais de cada paciente.

Meningioma é benigno ou malígno?

Na grande maioria dos casos, os meningiomas têm comportamento “benigno”, ou seja, a remoção cirúrgica do tumor é suficiente, não havendo necessidade de tratamento complementar com quimioterapia ou radioterapia. No entanto, em casos mais raros, o tumor pode apresentar comportamento mais agressivo, sendo o tratamento complementar com radioterapia indicado para melhor controle da doença.

Os meningiomas são muitas vezes descobertos ao acaso como “achados de exame”, durante investigação com tomografia ou ressonância magnética, por exemplo no contexto de traumatismo craniano. Neste caso, se assintomáticos, podem não precisar de tratamento cirúrgico.

Estudo de caso

Abaixo, um exemplo de meningioma que se desenvolveu na fossa posterior, com implantação na porção petrosa do osso temporal e na tenda do cerebelo, em íntima relação com os seios transverso e sigmóide, causando compressão cerebelar e do tronco encefálico, e deslocando nervos cranianos anteriormente. A queixa clínica era de cefaleia, tontura e incoordenação motora.

Ressonância de crânio mostrando meningioma (branco, indicado pela seta laranja)

A tomografia pós operatória evidencia a remoção total do tumor (asterisco).


Houve excelente recuperação, com alta hospitalar em poucos dias e retorno às atividades habituais da vida diária.

Dúvidas sobre o diagnóstico e tratamento dos meningiomas ou outros tumores? Deixe suas perguntas nos comentários ou agende uma avaliação.

Luciano Furlanetti, MD, PhD, FEBNS

CRM 121.022 | Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) | Membro Titular da Sociedade Alemã de Neurocirurgia (ÄK-DGNC) | Membro Titular da Sociedade Britânica de Neurocirurgia (SBNS)| Doutorado e Pós-Doutorado em Neurocirurgia Funcional – Alemanha/UK | Clinical Fellowship Neurocirurgia Funcional – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido | Clinical Fellowship Neuro-oncologia – King’s College Hospital, Londres, Reino Unido

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